sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Aniversário de Sampa

Dia 25 de janeiro é o dia do aniversário de São Paulo e sua história, como todos sabem, inicia no planalto de Piratininga, ao lado dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, com José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, no famoso Pátio do Colégio, mais precisamente ao lado da cantina.


Após empurrar goela abaixo a cultura católica nos índios e bulinar seus coroinhas curumins, o irreverente Manoel de Nóbrega foi apresentado pela Hebe Camargo ao Sílvio Santos e, desse modo, lançou um programa chamado a Praça é Nossa.


Do outro lado da história, Anchieta, conhecido intimamente como Farofa, construiu uma estrada para que todos pudessem descer pra praia e curtir os fins de semanas à beira mar. Para essa construção houve uma grande ajuda financeira de um famoso produtor de festas e eventos da época, o José do Patrocínio.


Patrocínio criou o famoso pedágio na Anchieta, simplesmente para encher o bolso de reis. Prática que viria a ser muito utilizada pelo então garotinho Mario Covas.


Anchieta e Patrocínio logo se deram mal, pois anos depois, oriundo do cruzamento de um crustáceo decápode com uma raposa velha, brota no mundo um ser chamado Paulo Maluf. Esse por sua vez, vendo o sucesso financeiro obtido por Anchieta, foi logo construindo outra via de acesso para a praia, chamada de Imigrantes e, desse modo, abriu uma forte concorrência na arrecadação de grana dos farofeiros.


Aliás, assim como Deus construiu o mundo e Niemayer o Brasil, Maluf fez São Paulo e, de quebra, ajudou a Suíça a se tornar uma grande potência econômica.


Falando em Niemayer, foi ele quem orientou os primeiros traços do menininho Ramos de Azevedo, que depois veio a arquitetar obras importantíssimas em São Paulo.


Inaugurada ao lado do marco zero por Mem de Sá, irmão mais velho da Sandra de Sá, a praça mais famosa de São Paulo, antigamente se chamava Praça da Sé Supermercados, mas depois a marca varejista acabou vendida para o grupo Pão de Açúcar e tiraram o complemento de seu nome.


Libero Badaró, todos sabiam que era médico e jornalista, além disso, que foi assassinado na porta de sua casa, cuja casa era na rua que hoje possui seu nome. No entanto, o que muitos não sabiam é que Badaró era o Líbero da defesa do Club Athlético Paulistano e que foi treinado pelo mestre Zagallo.


Embora um dos seus mais conhecidos pontos seja chamado de viaduto do Chá, São Paulo cresceu com a ajuda do café. Inclusive, para propagar seu nome mundo a fora, uma das marcas mais fortes da época, criou num laboratório com ajudas de extraterrestres, um gênio do futebol e o apelidou com o próprio nome da empresa.


Repreendidos por terem seus membros sexuais menores que dos brasileiros, os asiáticos cansados das piadinhas sem graça, nomearam a colônia onde moravam de Liberdade.


Cientificamente isso não foi comprovado, mas você sabia que antigamente o céu de São Paulo era mais baixo? Basta ver que o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha céu da América Latina.


Em 1932, a sociedade paulista se organizou para manisfestar contra a ditadura de Getúlio Vargas, que ficou conhecida como a Revolução Constitucionalista. Essa revolução teve como maior símbolo os jovens MMDC (Mínimo, Máximo, Divisor e Comum).


Como Vargas nunca gostou de matemática, dizem que ele utilizou métodos de torturas para castigar os MMDCs, afogando suas cabeças em tonéis de águas, enfiando agulhas embaixo de suas unhas, vestindo-os com a camisa do Palestra Itália e dando beliscões nos braços de nossos bravos heróis.


Esse castigo inaceitável, Obelisco, tornou-se o nome do monumento erguido para homenagear os estudantes mortos na luta.


Graças a uma piada mais velha que a própria cidade, a Avenida Paulista se tornou conhecida por ser comparada ao casamento, pois começa no Paraíso e termina na Consolação.


Falando em consolo, São Paulo tem uma obra que poderia ser considerada uma das 7 maravilhas do mundo atual, o Borba Gato, hahahaha, claro que estou sacaneando!


Os bandeirantes mataram todos os índios que cruzaram em suas frentes, sem dó, nem piedade. Mas mesmo assim, foram homenageados em nome de rodovia, rádio, tv, avenida, escola e faculdade. É como se hoje construíssem uma estátua do Maníaco do Parque no largo do Arouche, um retrato homenageando Hitler em Israel ou um mausoléu de mármore do Bush no Iraque.


Se você me falasse que alguma coisa acontece no seu coração, que só quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João. Certamente falaria aos berros que você estava sofrendo um enfarto e que deveria correr imediatamente para o SUS, para quem sabe ser atendido em duas ou três gerações.


Aproveitando o papo artístico, a famosa "Trem das Onze" foi eleita recentemente a música que mais tem a cara de São Paulo. Eu concordo plenamente. Inclusive se mudássemos o nome da música para Trem Lotado, seria a reprodução ainda mais perfeita da cara de São Paulo.


O nome da banda Demônios da Garoa fazia analogia com o apelido da cidade, Terra da Garoa, mas se fosse levar em conta a situação atual de Sampa, certamente o nome do grupo seria Demônios da Enchente ou quiçá Demônios da Chuva Ácida.


Poucos sabem, mas a Mooca teve seu nome dado por um gago. Já o bairro do Bixiga foi fundado por italianos que eram proprietários de fábricas de balões de festas (é por isso que lá é montado o bolo de aniversário da cidade). O nome Tatuapé foi dado numa forma de ironizar o Gato de Botas. Além disso, o brasão da cidade teve sua famosa frase escrita em latim por um motorista de bonde ("non ducor duco" que significa não sou conduzido, conduzo).


Ligando o nada a porra nenhuma, o bonito é ver que depois de 455 anos de história, a cidade tem condições de gastar mais de 230 milhões de reais para presentear a Globo com um cenário novinho para o seu programa regional, o SPTV e, o foda é ver os paulistanos deixando no cargo uma administração que gasta dinheiro onde não deve e que fez 161 promessas há 4 anos atrás, as quais apenas 28 foram cumpridas integralmente.

(http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u484699.shtml)


Mas tudo é festa!


Doug Paulo Istano

3 comentários:

Daniel - Phdaemons disse...

Caraiu Alemão, cada vez seus textos estão mais profundos, irônicos, sarcásticos, realistas e instrucionais.

Pena o povo não gostar disso, não saber interpretar e preferir assistir programas inúteis de TV, bbbs, sbts etc...

Fabio disse...

Doug eu te amo!

Fabio disse...

Você não falou da vinda em peso, e em pau-de-arara da família do Diedson pra Sampa...
Aliás não há nada mais carioca do que chamar a cidade de São Paulo de "Sampa"!
Você é o Marcelo Adnet da Internet!! HAHAHA que comentário mais EMOTV...deixa eu ver seu quiabo, deixa?