terça-feira, 20 de maio de 2008

Nessa bumba eu não ando mais



Em meu dia-a-dia, passo em média 6 horas dentro do ônibus, 2h30 para ir ao serviço e depois mais 3h30 para voltar.


Antigamente eu lamentava, falava que ninguém merecia isso, mas hoje, eu até gosto. Inclusive, agradeço o Kassab, que disponibilizou uma televisãozinha em alguns ônibus.


Tudo bem que a maioria das coisas que passa é propaganda, mas já que o trânsito não me permite assistir TV em casa, eu vejo essa mesmo.


Foi no busão que eu comemorei meus 3 últimos aniversários, que eu ouvi as principais piadas que sei hoje, que vivi minhas maiores aventuras e foi lá também que perdi a virgindade.


Um cidadão não paulistano pode até achar engraçado, mas aqui, perder o cabaço no busão é normal, é “quase ingual qui nem” um cara da roça perder a virgindade com uma cabra ou uma galinha. Todavia, temos uma vantagem, o balanço do busão nos ajuda.


Para ser sincero, não sei exatamente decifrar quando foi minha primeira vez, mas acredito que posso arriscar, a primeira suspeita que eu me lembre foi assim:


Certa vez, fui “tomar” um ônibus e tive que ficar na porta, ele não estava tão cheio, pois até o cobrador estava sentado, o problema é que o pessoal não se apertava lá no fundo e tinha gente até com os dois pés no chão.


Depois de percorrer aproximadamente 3 bairros pendurado na porta do busão, no momento em que íamos parar no semáforo, veio um motoqueiro atrapalhado e enfiou o guidão no meu traseiro.


A partir daí, eu peguei ódio dessa raça Filha da Puta, para mim, motoqueiro bom passou a ser aquele que fica agonizando e fritando no asfalto quente, pois afinal, o que custava ter mandado flores ou ao menos uma tele mensagem no dia seguinte?


Outra ocasião foi quando eu viajava dentro do ônibus Cipó do Meio / Tremembé (em SP ninguém anda de ônibus, viaja), naquele dia estava um pouquinho lotado, mas ainda dava pra respirar.


Eu estava próximo à catraca, na minha traseira estava a Olga com um guarda-chuva na mão, na minha frente a Creide e, lá na porta, a Odete, que mesmo pendurada, insistia em conversar com as senhoritas que estavam ao meu lado.


Falavam que os patrões delas tinham isso, tinham aquilo, que a patroa comprava isso, comprava aquilo, que a filha deles dava isso, dava aquilo, enfim, parecia mais uma reunião do Nelson Rubens com a Sônia Abrão.


Em meio a essa fofocaida da porra, o motorista chamado Jiló, freou de forma repentina o busão, não consegui me segurar e praticamente dei um creu na Creide.


No fundo (literalmente) não foi uma experiência ruim, eu estava na seca mesmo, contudo, o perverso foi a Creide ficar me olhando com aquela cara de quero mais, tentando fazer pose de sensual - mesmo não percebendo que havia engolido o pivô frontal na freada do Jiló.


Falando em Jiló, foi o motorista quem freou, mas foi o meu que ardeu...


Nessa empolgação do creu na Creide, eu não tinha me atentado a um detalhe. Atrás de mim, estava a Olga, com um guarda-chuva na mão e, após a freada do Jiló, a sombrinha havia desaparecido, por fim, só fui achá-la em casa, no momento em que tomava banho.


Muitos podem reclamar do transporte público da cidade de São Paulo, no entanto eu tenho orgulho de reconhecer a competência das autoridades paulistanas - que podem até ter falhado na assistência a minha saúde e educação, porém, “por outro lado”, acertaram no “alvo” ao me propiciar esses momentos de prazer.


Doug Pé de Breque "Funcionário da Viação Bola Dentro"

Um comentário:

Srta. Raposa disse...

kkk perder a virgindade num buzão deve ser muito louco.
Muito legal o post "Nessa bumba eu não ando mais".
Blog bacana.
Inté.